Opinião
Um doente diabético tem uma probabilidade de 12 a 25% de desenvolver uma lesão trófica no pé ao longo da sua vida. A incidência anual global deste evento é de 2%, subindo para 7 a 10% se existir neuropatia e atingindo os 25 a 30% se coexistir adicionalmente a doença arterial periférica (DAP). De facto, a DAP está atualmente presente em 50 a 60% das úlceras em pé diabético. Na sequência, a DAP assume-se como um fator de risco independente de grande relevo para ulceração e perda do membro no doente diabético. Acresce-se ainda que a DAP está presente em cerca de 20% da globalidade dos doentes diabéticos e em mais de 90% dos diabéticos submetidos a amputação major.
O diabético vive tempos complexos. A uma longevidade cada vez maior associa-se as doenças vasculares e metabólicas que o predispõem a um aumento do risco de ulceração e infeção do pé.
Enquanto problema de saúde pública, a diabetes sublinha-nos dois aspetos muito relevantes: o crescimento brutal do número de doentes (e falaria apenas dos que estão já diagnosticados) e, o facto das complicações, a termo variável, causarem mortalidade prematura e riscos acrescidos em múltiplos territórios.
O pé diabético é um tema recorrente sempre que se fala de complicações da diabetes. Todos os anos se olha para o crescimento do número total de amputações dos membros inferiores, por motivo de diabetes, fazendo muitas vezes manchete nos órgãos de comunicação. A catástrofe anunciada parece não ter fim.
A diabetes mellitus representa um grave problema de Saúde Pública em Portugal (e no mundo) pela sua elevada prevalência (13% da população entre os 20-79 anos) e pelos custos económicos (10% da despesa em saúde), sociais e pessoais que acarreta.
O ensaio clínico DURATION 8 atingiu os seus pontos finais [endpoints] primários e secundários: reduziu significativamente a glicemia (glicemia de jejum e hemoglobina glicada), o peso e a pressão arterial sistólica quando comparado com cada um dos fármacos isoladamente.
Os resultados do Estudo SUSTAIN 6 demonstram que semaglutido reduz significativamente eventos cardiovasculares, nomeadamente o AVC em diabéticos. Leia este artigo de opinião do Prof. Doutor Davide Carvalho.
O último relatório anual do OND referente ao ano 2014 revela melhoria acentuada do número total de amputações registadas em Portugal Continental em comparação com os números apresentados no ano anterior.
A retinopatia diabética é a principal complicação a nível ocular da diabetes e pode evoluir sem apresentar nenhum sinal ou queixa.
Nos vários relatórios anuais do Observatório Nacional da Diabetes tem-se verificado um aumento da prescrição e dos custos com a medicação para a diabetes.
